E foi 2022… o que levar para o próximo ano?

Photo by Moritz Knöringer on Unsplash

O ano de 2022 passou por cima de mim, várias e várias vezes, de várias formas diferentes. E eu me levantei de alguma forma muito diferente em todas elas. Foi um tempo tão confuso, que coisas que me aconteceram no ano anterior (2021) pareciam estar ainda muito recentes na minha vida.

Me vi sendo guiada pelas oportunidades alheias e também da empresa. Mudei. Consegui me colocar onde eu acredito que seja o meu lugar, que faz sentido para mim e para o que eu acredito que vai construir a vida que eu ainda quero. Hoje, escrevo sobre isso de uma forma bonita, mas passei pelo menos 3 meses sofrendo (literalmente sofrendo, várias crises de ansiedade) para conseguir trabalhar APENAS as oito horas contratadas por dia e sem ninguém me cobrando entrega, prazo, resposta, atualização de tarefa. E lendo isso, você provavelmente se perguntou “mas não é assim que se trabalha”? E eu te respondo: sim, é! Mas eu estive num ritmo insano e insalubre de trabalho onde meu corpo aprendeu que era normal ser produtiva por muitas horas, muitos dias, sem parar… afinal, o mundo não para. O consumidor do produto, este não para… então, seguimos.

Perdi várias amigas e colegas de trabalho que não suportavam mais esse ritmo de trabalho e as situações de assédio que aconteciam. Também tive algumas situações e lutei, lutei muito, contra tudo e todos que pude — por mais estranho que pareça, esse ano lutei mais pelos outros que por mim, o fiz com satisfação sabendo o caminho pois eu já o tinha trilhado. Vi muitas amigas, muitos colegas de profissão, se ausentando por burnout, depressão, crises infinitas de ansiedade e pânico. Fiquei mal, fiquei sem saber como se fazer presente em situações de crise e tive dificuldade de me concentrar nas minhas coisas vendo tantas pessoas próximas (e queridas) sofrendo tanto. Me senti mal por estar bem, me senti mal por estar feliz, me senti mal por estar conseguindo enfrentar minhas lutas enquanto muitos dos queridos não conseguiam. E esqueci que passei por muito também como essas pessoas. Ainda em 2022, vivi (vivemos) muitas outras situações bizarras, maldosas e de uma criatividade nunca vista antes além do profissional gerando uma crise de saúde geral juntamente com a tensão política.

Ainda que tenha sido um ano de muitas coisas loucas e atropelamentos, também aconteceram várias coisas boas no mundo. Compartilho que na minha vida, tive realizações imensuráveis. Alguns exemplos, adicionei a categoria A a minha CNH para pilotar uma moto, comprei uma moto, viajei para Europa duas vezes, realizei o sonho de conhecer Paris, Amsterdã, Bruxelas e algumas outras cidades européias, comprei uma roupa do PSG + Jordan, comprei maquiagens da MAC + Black Panther II, adquiri e ganhei vários produtos Apple, montei um computador gamer, assisti um dos maiores campeonatos de CS-GO praticamente de camarote, vi meu namorado realizar os sonhos dele, fui promovida a sênior, formei uma turma de 45 mulheres para serem profissionais de Cloud, fiz minhas primeiras palestras pagas, encerrei um CNPJ e precisei abrir outro para continuar formando pessoas, ganhei 8kg de massa magra, realizei o sonho de fazer uma consultoria de imagem e voltada para pessoas negras, fiz um passeio de limousine, aprendi novamente a treinar sozinha na academia, fiz um ensaio de fotos maravilhoso, reencontrei uma grande amiga de muitos anos, ajudei muitas mulheres na área de tecnologia, recebi o carinho de todas elas, terminei de montar minha casa, comecei a estudar um novo idioma, nossa… fiz tantas coisas e tantas coisas tão incríveis, que ainda não consegui listar tudo. Muitas dessas realizações foram vividas caladas, porque ainda não aprendi como dividir tudo em situações onde as pessoas perto de mim estão mal.

O meu maior aprendizado, que percebi enquanto escrevia esse texto, foi: ainda preciso mais sobreviver que viver. Ainda preciso vestir um antolho.

O que é antolho você deve estar se perguntando. Antolho é a palavra bonita para “viseira de cavalo”, é um peça de couro ou outro material opaco que, colocadas ao lado dos olhos de certos animais de tração como o cavalo, reduzem a sua visão lateral, evitando que se espantem. Várias vezes usei dessa tática para manter meu foco… lá no colégio, quando duvidavam da minha capacidade, lá na faculdade quando falavam que eu estava doida ao me envolver em atividades da comunidade, sair para comemorar, estudar e cuidar da minha saúde. Ainda acredito que eu estava certa porque somos seres múltiplos e para estarmos bem, e no mínimo de equilíbrio, precisamos nos cuidar não só no âmbito profissional.

Esse ano de 2022, eu deixei meu antolho cair algumas vezes… me espantei com as situações de perigo, me espantei com as notícias ruins e me deixei distrair. Me deixei distrair, principalmente, com situações que não me diziam respeito, com comentários de outras pessoas que não sabem a minha história, que não sabem minha luta.

E sabe o que o antolho tem a ver com sobrevivência? Algumas vezes é necessário se vestir de alguma coisa que vá te ajudar a não se distrair do seu objetivo. Eu sei que parece frase pronta, mas é a verdade.

Ainda com distrações, foi um ano mágico, incrível, cheio de encontros e desencontros, cheio de esperança e amor. Agora, divido com você algumas coisas que confirmei e outras que aprendi:

Se eu pensar um pouco mais, com certeza vou ter mais acontecimentos para dividir e também mais aprendizados. Mas esse texto, que foi escrito num momento de necessidade de colocar para fora, já está muito grande e sem formato.

Para 2022, ainda temos algumas horas onde tudo pode mudar. Por hoje, só ano que vem. E para 2023, abraço a mudança, a esperança, a força e a certeza que só eu sei o que é melhor para mim. O que você aprendeu e vai levar para o seu 2023?

--

--

👩🏿‍💻 🖤 💪🏾 ✨

Get the Medium app

A button that says 'Download on the App Store', and if clicked it will lead you to the iOS App store
A button that says 'Get it on, Google Play', and if clicked it will lead you to the Google Play store